Frio e chuva combinam com feijão branco!

Este tempo frio e chuvoso de São Paulo é um excelente convite para uma tigela de sopa. Tenho visto nos restaurantes propagandas de “Festival de Sopas”. Mas, meu amigo, quem se anima a sair com esse clima? Além do trânsito que isto ocasiona? Paulistano sofre!

Resolvi, então, colocar aqui uma receita de sopa que é fácil e deliciosa. Além de usar um dos meus ingredientes favoritos: feijão branco! Eu acho este feijão super cremoso e com um sabor inconfundível. E é super versátil. Uso para cozidos, sopas, bruschettas e até mesmo saladas. Ah! E faço com ele um patê diferente e muito chic. Ok! Antes que todas vocês saiam pedindo a receita eu a coloco aqui, também!

E assim, quem se anima a ir para o fogão? \o/ \o/ \o/   Nossa… Quanta gente!!!

Uma amiga comentou que ela adora o blog mas que nunca fez nenhuma receita pois acha tudo aqui muito difícil e profissional! hahaha Adorei.

Então esta receita é em homenagem as leitoras fiéis e preguiçosas. São duas etapas* muito fáceis e que terá um resultado surpreendente no final!

 

Sopa de Feijão Branco e Pancetta com Gremolata

200 gr de feijão branco (eu usei o italiano canellinni. Pausa para um comentário: use os melhores ingredientes que você encontrar no mercado. Afinal, é você quem vai comer esta comida e se deliciar no final).

1 tomate

1 batata (eu usei 2 batatas vermelhas pequenas)

1 cabeça de alho inteira (isso mesmo!)

2 folhas de louro

1 ramo de alecrim

1 ramo de tomilho

azeite de oliva, o quanto baste

100 gr de pancetta (outra vez… mas se não tiver use o bacon)

1 cebola pequena picada finamente

2 talos de salsão cortados em cubos

750 ml de caldo de frango

sal e pimenta do reino a gosto

1/2 xícara de salsinha verde picada

1 dente de alho finamente picado

raspas de 1 limão siciliano

 

Coloque o feijão de molho conforme as instruções da embalagem. Se usar o feijão canellinni em lata, desconsidere esta etapa.

Após demolhar, coe o feijão e coloque em uma panela e cubra com água. Leve ao fogo e deixe ferver por 1 minuto. Coe o feijão, volte para a panela. Este processo serve para liberar os gases do feijão. Sabe aquela história do “pum”? Isso evitará que aconteça!!!

Voltemos à panela. Coloque o tomate, a batata, a cabeça de alho e as ervas amarradas com barbante de cozinha para facilitar sua vida na hora de retirá-las. Cubra com água. Leve ao fogo alto e deixe ferver. Assim que ferver reduza o fogo, tampe e cozinhe por 2 horas. Este processo poderá ser feito na panela de pressão. Porém reduza o tempo de cozimento para 30 minutos. O feijão deve estar tenro mas não desmanchando. 

Retire as ervas coe o feijão caso haja água excedente. Retire a pele dos tomates, da batata e corte o alho ao meio. Amasse tudo com um garfo fazendo um purê. Reserve.

Em uma panela aqueça o azeite e acrescente  a pancetta. Frite até dourar. Acrescente a cebola e o salsão e deixe refogar até que a cebola murche e fique translúcida. Adicione o purê de batata e misture bem. Coloque o feijão nesta panela e o caldo de frango. Deixe ferver em fogo baixo por 10 minutos. Tempere com sal e pimenta do reino a seu gosto.

Para a gremolata misture a salsinha com o alho, bem picadinhos e as raspas de limão.

Servir a sopa com uma colher de gremolata por cima.

 

* Mais a etapa da gremolata. A gremolata pode ser misturada na manteiga amolecida para fazer uma manteiga perfumada, ou sobre um peixe ao forno…

 

RECEITA BÔNUS!!! Bata no processador de alimentos o feijão já cozido, com alho, suco de limão siciliano e azeite até virar uma pasta grossa. Acrescente tomilho e tempere com sal e pimenta do reino a gosto!

Filho de peixe, peixinho é!

Meu filho acordou e me pediu para ajudá-lo a fazer um bolo! “Como assim? São 7 da manhã. Você ainda deve estar sonhando…” Ah! E bolo de côco!

É incrível como aqui em casa nós contribuímos 50% / 50% na genética dessa criança! O gosto pela cozinha e pela comida, claro (!) ele tomou de mim. Vocês poderiam até dizer que toda criança gosta de se estar na cozinha pela aventura e bagunça, mas não é este o caso aqui em casa. Ele quebra os ovos com precisão, lê a receita e me corrige se eu faço alguma “adaptação”! Será que ele vai seguir os passos da mãe? Coitado…

Mas voltando ao pedido fui pensar em uma receita bem fácil para ele poder fazer e eu ajudá-lo. Nada vinha a minha cabeça, porque, na verdade, eu nunca tinha feito um bolo de côco!!! Fiz, sim. Uma única vez um bolo que era servido lá no Restaurante Mocotó de Londres e dava um trabalhão. O bolo era feito em 3 etapas, era preciso fazer um creme patissier, manteiga noisette… Muita falta de juízo se esta fosse a receita escolhida! Além do que logo recebi uma outra exigência. “Mãe, quero um bolo bem fofinho!” Ufa! Este bolo era molhadinho!

Pensei em fazer um bolo simples de baunilha e acrescentar côco. Boa idéia? Não! Já que a criaturinha estava a fim, por que não curtirmos este momento juntos aproveitando para testar alguma receita, também? Boa idéia? NÃO! Com a casa em zona de guerra como está tudo o que eu menos precisava era testar receitas. Mas lá fui eu!

Encontrei uma receita num livro que nunca tinha usado. Eu o comprei em Janeiro, antes de me mudar e logo entrou numa caixa de mudança… Chegando aqui foi um dos primeiros a se acomodar na minha prateleira. Bingo! Tudo o que eu precisava – testar uma receita de um livro ainda não testado! E não é que foi muito bom! Apesar de meu ajudante – ou seria eu a ajudante? – ter feito muita coisa eu pude aprender, inclusive, coisas novas sobre bolos.

E o resultado final… Um maravilhoso, super cocolicius (isto foi por conta do meu filho!) e fofíssimo bolo de côco!

 

Bolo de Côco do Sul de Manhattan (Serve 24 pedaços)

6 ovos grandes, separadas claras e gemas

226 gr de manteiga sem sal a temperatura ambiente

400 gr de açucar de confeiteiro

400 gr de farinha para bolo*

3 colheres de chá de fermento em pó

1 colher de chá de sal fino

1 e 1/2 colheres de chá de extrato de baunilha

220 ml de leite de côco

100 ml de leite integral

150 gr de côco em flocos (eu usei o úmido e adoçado)

 

Bata as claras em neve em picos duros. Reserve

Em outra tigela, bata a manteiga e o açucar de confeiteiro até formar um creme claro e aveludado, uns 5 minutos em velocidade média.

Enquanto isso peneire em uma outra tigela a farinha para bolo, o fermento e o sal. Reserve.

Junte as gemas, à mistura de manteiga e açucar, uma a uma, batendo por 30 segundos a cada adição. Acrescente a baunilha.

Agora você já pode pré aquecer o forno em 180 graus. Misture o leite de côco e o leite integral. Reserve. Diminua a velocidade da batedeira para baixa e acrescente os ingredientes secos peneirados, alternando com a mistura de leites.

Sem bater acrescente o côco ralado misturando com delicadeza. Lembra das claras em neve? Agora é a hora de misturá-las a sua massa, pouco a pouco, fazendo movimentos envolventes de cima para baixo. Isso vai deixar o bolo extremamente macio!

Asse em forma untada e enfarinhada por 40 minutos. Eu usei forminhas de bolo inglês individuais e renderam 24 bolinhos. E reduzi o tempo para 25 minutos. Teste com um palito para ver se o bolo está assado. A superfície estará levemente úmida.

Este bolo fica bem docinho, por isso dispenso coberturas. Alguns bolinhos reguei com leite de côco e polvilhei o côco em flocos.

* Olha que coisa genial que aprendi neste livro. A farinha para bolos, que ainda não sei se é possível encontrar pronta aqui no Brasil, é uma mistura de farinha de trigo com amido de milho (para maior leveza!). A receita é simples: para cada 120 gr de farinha de trigo acrescente 20 gr de amido de milho. Isto te renderá uma xícara de farinha de bolo (140gr)!!! Você pode fazer esta mistura e guardá-la para quando precisar!

 

Tudo é uma questão de tempo!

Eu sabia que tudo era uma questão de tempo! Bem… e de espaço e de apetrechos culinários apropriados! 

 

Já mudei do flat e estou adorando a minha casa nova. Na verdade, a minha vida nova! Morar apertadinho, numa localização super privilegiada é um estilo “parisiense” de vida que eu já não estava acostumada. Até em Londres meu apartamento era maior! Mas sair cedinho para ir a feira comprar tudo muito fresco e orgânico, voltar com esse solzinho tímido de domingo no rosto! Ahhhh… Está valendo a pena!

E nesse bom humor nada melhor do que estrear a cozinha! A casa está uma zona! Dos 250 itens, devem faltar umas 50 caixas para serem abertas e arrumadas. Mas a cozinha… Perfeita! Linda, maravilhosa – com alguns ajustes para serem feitos – e pronta para receber uma cozinheira cheia de vontade de colocar a mão na massa. E foi isso que eu fiz assim que acordei! Estava chocólatra e me lembrei da melhor receita de brownie que eu já fiz na minha vida. Tinha até dúvidas se ainda não tinha postado ela aqui. Que horror que eu estava fazendo com vocês! Tanto tempo de blog e esta receita maravilhosa ainda não tinha entrado para o registro? Me perdõem, me perdõem. Mas hoje eu me redimo!

Esta receita eu aprendi quando trabalhei na Clare’s Kitchen. No seu livro o título da receita é “Os melhores e deliciosos brownies de chocolate de todos os tempos”  (minha tradução). Então imaginem o que é isso?!?!?! Casquinha crocante e sequinha por fora e aquela massa molhadinha e batumada lá dentro! Fiz tanto que já sabia a receita de cor e salteada. E sempre mudava alguma coisinha quando a preparava em casa. Mas hoje, com um ar nostálgico e me lembrando dos dias tão felizes como o de hoje que passei naquela cozinha, reproduzi a receita tal como ela é.

 

The best ever indulgent chocolate brownies – Clare Latimer (Serve 12 pedaços)

310 gr de chocolate em barra 70% cacau picado

2 colheres de sobremesa de chocolate em pó sem açucar (12 gramas) *

175 gr de manteiga

5 ovos

550 gr de açucar mascavo

200 gr de farinha de trigo

 

Aqueça o forno a 180 graus. Derreta o chocolate com a manteiga. Isso pode ser feito em banho maria ou no microondas. Se usar o microondas comece com 5 minutos e cheque de tempo em tempo, pois como cada potência varia muito é importante não queimar o chocolate. Acrescente o chocolate em pó e misture bem.

Bata os ovos com o açucar for 5 minutos até que fiquem fofos e com uma cor pálida. Misture, com carinho(!), o chocolate derretido.

Adicione a farinha de trigo peneirada em colheradas misturando sempre com uma espátula fazendo um movimento envolvente de baixo para cima. Coloque em uma assadeira previamente untada com manteiga e farinha de trigo. Se preferir, forre a assadeira com papel manteiga próprio para assar. Assim facilita a retirada da massa na hora de cortar. 

Asse por 40 minutos até que esteja firme ao toque, mas levemente macio. Batumado, como eu gosto de dizer!

Deixe esfriar na assadeira antes de cortá-lo em quadradinho (ou quadradões!). Eu não consegui… Cortei um pedação e fui à feira que tem aqui pertinho. Voltei com 15 kg nas sacolas! E no fogão já está um lagarto escabeche sendo preparado enquanto escrevo este post. Mas acalmem-se. Esta receita fica prá depois!!

 

* Eu não conhecia colher de sobremesa como medida até me deparar com esta receita. Uma vez perguntei à Clare e ela me disse que a colher de sobremesa é aquela que cabe na boca sem ter que abrí-la muito! Por vias das dúvidas resolvi pesar!

 

O meu sonho de consumo é essa assadeira para ter casquinha em todos os cantos!