Halloween?? Não! Comida de rua na China

Precisa ter estômago… E tinha! De boi e de porco!



Esta feira de rua que encontramos por acaso próximo ao calçadão de Wangjuging, em Beijing foi um grande achado. Nosso primeiro dia e saímos ra procurar um restaurante. Estávamos famintos… E de cara nos deparamos com cobras, lagartos e aranhas! É… a fome não era tanta assim! Juro que amarelei. Na verdade, não vimos ninguém comendo. Nem turista, nem chinês. Achei mesmo que poderia ser uma pegadinha. Mas num lugar onde a comida é super respeitada e se come de tudo, como aquela montanha de insetos estaria ali só para fazer uma graça?? A resposta eu não sei. Só sei que passei direto pelos escorpiões e lacraias e fui encarar algo mais light, diet! AInda se eu fosse paga para comer tudo isso… Agora entendo os programas de culinária exótica da TV.  E não me sentia tão culpada. Já tinha encarado sapo e bucho de peixe!

 

A comida de rua na China é muito popular. E barata! Não são barraquinhas como nesta feira, mas pequenas lojinhas espremidas umas contras as outras e vendendo basicamente noodles e dumplings*. E estão sempre lotadas. Não dá para usar a teoria de que a que está cheia é a melhor. Todas estão! Sendo assim encontramos um balcão apinhado de gente e foi aí que comemos o nosso primeiro prato de xiao long bao. Cena bizarra! Mímicas, risadinhas e apontar para o prato do vizinho foi a nossa saída! E descobrir que eu mesma deveria me servir de uma sopa, uma espécie de mingau de nbso um latão gigante onde borbulhavam grãos de milho! Como é bom não falar a língua! Novas descobertas todos os dias!

 

Noodles também estão como a comida de rua muito popular. Você compra a tua tigela e sai feliz comendo aquele macarrão fumegante pelas ruas frias da cidade. Muito bom! 

 

Xiao long bao é um dumpling muito característico de Shanghai, por isso, lá fomos encontrar a melhor barraca da cidade – ou de toda a China, como se orgulham os proprietários! Só consegui encontrar a tal casinha pelo tamanho da fila! Um Bacio de Latte® em Shanghai, se é que vocês me entendem!?! O balcão que vende a iguaria não é maior que 30 cm. Mas o negócio cresceu tanto que você tem a opção de sentar no restaurante que tem 3 andares. No 1º andar você tem a opção de sentar mas não de escolher o que quer comer! Eles te oferecem o que está disponível. No 2º andar você já pode escolher mas de um cardápio mais restrito. E o 3º andar e mais disputado, aí sim! Todas as delícias de um verdadeiro banquete! Mas como sempre menos é mais, a tigelinha da rua faz tanto sucesso quanto. O importate era se deliciar com essas massinhas cozidas no vapor recheadas de uma deliciosa carne de porco ou caranguejo e um consome delicado e surpreendende lá dentro. Cada trouxinha traz a surpresa de ter uma sopinha dentro. Lindo, delicioso e inusitado! 

 

Valeu a espera e ter passado reto pelos insetos. Deixo estes para o pessoal da TV!

 

 

*Aqui uso o termo genérico das massinhas cozidas. Mas na culinária oriental, cada dumpling tem seu nome próprio. Mais ou menos como o macarrão na Itália!

 

Nǐ hǎo! Na China como os chineses…

Nǐ hǎo! Ou, olá em chinês! É isso aí mesmo que você está pensando! Acabo de voltar de uma aventura pela China!

E aquela história de os dias terem mais horas? Bem… Já que não foi possível conseguir isto resolvi largar tudo e me aventurar pelos exóticos caminhos orientais. E bota exótico nisso!

Este post não é para falar sobre minha viagem, mas sobre tudo o que vi e comi por lá. Mas uma “viajadinha”  não faz mais a ninguém! Na verdade, acho que serão alguns posts falando dessa apaixonante aventura gastronômica que, de verdade, ficará para sempre na memória! E tão grande como a China é a sua gastronomia. De porco a pato, de pé a bucho, lá tudo se come. Um país com 1,3 bilhão de habitantes e apenas 0,08 hectares cultiváveis per capita, nem mosquito escapa!

Neste primeiro post vou falar sobre os banquetes maravilhosos que nos submetemos sem saber ao certo o que aconteceria. Uma aventura! Uma das vantagens de não falar a língua local e não poder se comunicar! Arrisque-se! E assim foi.

A maioria dos restaurantes não tem staff que fala inglês, mas tem um menu com uma tradução em inglês muito ao pé da letra que, na maioria das vezes, nos faz rir muito e não ajuda em nada. Mas as fotos dizem muito! Se você conhece da culinária chinesa! E não estou falando de frango xadrex ou chop suey. Esqueça tudo isso! Lá o negócio é mais sério. Para uma população que viveu parte da sua vida no campo e cercada de gente tendo que dividir um prato de arroz o respeito pela comida que agora eles tem acesso é gigante! E nada é desperdiçado…

Tivemos várias experiências fantásticas ao longo da viagem. Eu disse fantásticas! As outras foram maravilhosas!!! Sem querer encontramos um restaurante super tradicional, Family Li Imperial Cuisine, além do nome, nada de inglês e tudo de muito chinês onde apenas eram servidos menus degustação iniciando a experiência em 800 RMB, ou equivalente a R$ 260,00 chegando a R$ 980,00. Com um menu em inglês lá fomos para nosso banquete! 

Com mímicas e muita risadinha bem ao estilo chinês conseguimos pedir o nosso jantar que incluía de um prato de frutas como entrada, a snow frog (a tradução seria sapo da neve??), bucho de peixe, barriga de porco, pepino do mar – que mais parecia uma Havaianas® cozida horas a fio!! – muito tofu e feijão vermelho! Que manjar. Não torça o nariz. Como neste post aqui sobre a rabada ninguém me convence que algo é bom ou ruim pelo nome ou pela cara. Tenho que provar! E vou dizer que de tudo isso aí o bucho de peixe não tem gosto de nada. E pela foto é bem bonitinho. Mas confesso que fiquei feliz em saber que era bucho de peixe somente depois que comi!

Numa outra oportunidade, essa já sabida e reservada com bastante antecedência, fomos parar num dos melhores restaurantes de Pato Laqueado de Beijing, o 1949 – Duck du Chine. Apesar do nome francês, o lugar segue as rigorosas regras de “garçom não fala inglês – nem francês, só chinês!” e as fotos podem dizer muito, ou quase nada! Mas neste caso a estrela da noite seria o pato. Nem que eu tivesse que dançar imitando a ave, não sairia de lá sem a minha dose diária de canard, ou de , seja lá como você quer chamá-lo! O lugar é super descolado e lotado de turistas. Mas uma gama diferente de turistas. Não os que procuram pelo frango xadrez, mas por aqueles que querem o manjar da dinastia Ming! E com certeza vão encontrar. Além do pato, muitos outros pratos da culinária chinesa estão disponíveis no cardápio. Para começar, pedimos pé de frango que estavam SIMPLESMENTE DIVINOS. NEM SEI COMO FAZER PARA QUE VOCÊ ENTENDA O QUÃO DELICIOSO ESTAVAM! Cozidos num caldo de frango saborosíssimo e desmanchando na boca. Ai, babei! E para acompanhar, Kimchi, que é um picles de repolho muito apimentado e delicioso. Já poderia ter parado por aí, mas que nada. Quando a grande ave chega na mesa há uma certa pompa e circunstância! Não sei dizer se para o pato ou para nós. Mas os garçons chegam com um gongo, daqueles bem imperial e “pomnmnmnm”. A partir daí a orgia gastronômica se inicia! O maître corta as finas lâminas do tenro peito do pato, juntamente com sua pele crocante como uma pururuca e NADA oleosa e dispõe num pratinho lindo em formato de pato! O molho Hoisin, delicadamente misturado com azeite de gergelim e amendoim dá um toque todo especial para as finas panquequinhas que abraçarão aquele peito e juntos desaparecerão nas profundidades da minha alma! Tão esperado, tão desejado… 

 

Se você já não conseguir ler este post, não deixe de voltar aqui mais tarde. A próxima e última aventura é tão boa quanto as anteriores!

Em uma das nossas visitas aos Hutongs, ou as vielas onde viviam os chinese antigamente – muitos ainda vivem por aí – podemos até dizer que são as favelas de Beijing, fomos parar no Red Ding Coffee. Um restaurante quase perdido no fim da rua. E claro, na porta aquele menu cheio de fotos apetitosas e coloridas atraiu nossa atenção. De cara não pudemos resistir ao bambu assado. Ainda não tínhamos visto essa iguaria em nenhum lugar. Ou nosso domínio da língua chinesa não tinha sido eficiente até então! E valeu muito a pena ser atraídos pelo desejo! Um restaurante simples, mas cheio de locais que vinham se deliciar com os pratos aromáticos e bem cuidados que saiam da cozinha. Nosso banquete incluiu o bamboo cozido que se parece muito com um palmito, na aparência. Cortado ao meio o miolo é que se come e seu sabor é exclusivo e inigualável! O iaque – é boi, não se espante! Mas uma espécie encontrada do Himalaya a Mongólia! – cozido com cebolinha estava de comer ajoelhado! e para acompanhar tofu cozido em molho Sichuan. Maravilhoso, mas em doses homeopáticas pelo grau de ardência! Mas era impossível comer um só! 

 

 

Prá começar a conversa, foi isso que comemos na China. Ou parte, porque nos próximos capítulos vou falar sobre a comida de rua, incluindo os insetos! E logo mais a maravilha dos Dim Sum, tão característicos em Hong Kong.

 

Zài nàlǐ!

Desta vez o Memórias foi parar no Encontro Gourmet

Evento Gourmet

Eu estou falando a verdade quando peço umas horas extras nos dias de 24 horas!!! Eu juro que o candidato que conseguisse fazer isso ganharia meu voto nas próximas eleições!

Evento GourmetOs dias estão curtos para tantas atividades. Conciliar a vida profissional com a pessoal está uma tarefa difícil, mas deliciosa! Depois do super evento de piquenique a quatro mãos e do Hangout do Google+ O Memórias Gastronômicas foi parar no 1º Encontro Gourmet Nacional de FoodBloggers. E o evento foi o máximo!  A organização estava impecável e todos os workshops e palestras muito bem apresentados. Além da oportunidade de reencontrar pessoas maravilhosas que não via há muito tempo e que me fizeram lembrar de um tempo maravilhoso do início da minha caminhada gastronômica!…

Mas nostalgia à parte foi muito bacana conhecer tanta gente como nós interessada na boa mesa, no futuro da gastronomia e nos modismos que ora vemos no “mundo gourmet”. E o mais incrível de tudo isso foi receber o apoio de grandes marcas apostando nos novos talentos e novas tendências. Será isso um reflexo do mercado? Não importa! O importante é ser acreditado e ver que é possível realizar um sonho!

Deixo aqui um link com a deliciosa receita de Fricasse de Legumes a moda Thai que foi preparado pelo pessoal da UTILPLAST!

E que venha o próximo! E vamos torcer para termos um fim de semana inteiro de Encontro Gourmet! 1 dia mais não basta. A não ser que ele tenha um pouco mais de 24 horas!

Foto: Maria de Lourdes Ruiz