A delícia de uma homenagem…

Acabo de receber um e-mail da minha querida amiga Ana Lucia. Um e-mail maravilhoso onde ela faz uma segunda homenagem para seu pai. Linda e doída. Na primeira vez, ela fez a paella cuja receita está aqui. Agora ela escreveu um texto lindo que eu não poderia deixar de publicar aqui e compartir com vocês…

 

Ana, minha doce amiga. Hoje você faz o blog e ele está muito mais delicioso!

 

“Graças à gentileza da minha querida amiga Patricia, já apareci duas vezes aqui no Memórias Gastronômicas – na primeira, porque me meti na viagem dela para SanFrancisco (Pê, qual é a próxima viagem??) e, na segunda, porque resolvi me aventurar a fazer uma paella de presente de Dia dos Pais para meu amado pai. Fiquei devendo a foto da paella por muito tempo e agora resolvi pedir licença para não apenas publicar a foto, mas também falar um pouco sobre a deliciosa memória que essa paella deixou. 
Quando tive a ideia de fazer a paella e pedi a receita à Patricia, era porque já não sabia mais o que dar de presente a meu pai. E ele, como bom descendente de italianos, sempre apreciou muito comer bem e suas histórias muitas vezes envolviam a lembrança de sabores que havia conhecido ao longo de sua vida. Com a minha mãe ele aprendeu acozinhar (há controvérsias…rs) e, curioso, assistia programas, lia e foi desenvolvendosuas receitas, suas técnicas. E assim, comer em casa era uma delícia!
Até por conta disso, enquanto morei com meus pais, minha participação se limitava a passar pela cozinha para ver de onde vinha aquele cheirinho gostoso que eu estava sentindo e a comer!
Somente quando passei a morar sozinha, descobri que trouxe o gosto pela boa comida comigo e que não ia dar para viver de congelado e sanduíche. Aos poucos, passei a fazer minhas experiências – algumas deram certo, outras nem tanto – e fui curtindo isso cada vez mais, comprando acessórios de cozinha, lendo blogs (este inclusive, claro!) e fazendo cursos. Meu pai e minha mãe foram, obviamente, minhas primeiras “cobaias”.
Meu pai se surpreendeu com essa minha descoberta como cozinheira e não escondia oorgulho de ver a filha fazendo algo de que ele mesmo gostava e pedindo instruções e dicas. Até por isso, achei que fazer um prato de que ele gostava como a paella no Dia dos Pais era uma ótima ideia.

E foi! Com a valiosa ajuda da Patricia, para quem pedi a receita aos 45 minutos do segundo tempo, comprei os ingredientes e no Dia dos Pais de 2011 meu pai, minha mãe e eu nos reunimos na cozinha do meu apartamento para preparar a paella. Acabou sendo uma festa! Curtimos tudo, desde a preparação dos ingredientes, o momento de colocar na panela e, enfim, a hora de saborear! Ele ficou muito feliz e a paella ficou uma delícia!!! 

Depois dessa vez, repetimos a receita no Reveillon seguinte e já fazíamos planos defazê-la de novo no Dia dos Pais deste ano.
Infelizmente, não tivemos essa oportunidade. Na verdade, o Dia dos Pais de 2011 acabou sendo o último que passei junto com meu pai. A falta que ele faz é enorme, mas a lembrança dessa paella me faz ter certeza da sorte que tive de viver momentos como este ao lado dele. E, se como diz Leonardo da Vinci, “para estar junto não é precisoestar perto, e sim do lado de dentro”, meu pai sempre estará junto de mim, dentro demeu coração e nas minhas memórias, inclusive as gastronômicas!”

Sobremesa azedinha para um pai muito doce!

Quando eu conheci meu marido ele logo me disse: “Nao quero me casar nem ter filhos!” (Ou algo assim…). Ele nega, mas eu sei que, na verdade, ele era assim e mudou!

Claro que quando a nossa cria nasceu ele ficou hipnotizado e se apaixonou no primeiro instante. E a genética foi bem generosa com ele. Nosso filho é a miniatura do pai. E isso é maravilhoso!!

Hoje, ao ouvir meu marido dizer que nunca sentiu amor tão grande quanto ao que ele sente pelo filho me faz ter certeza de que toda a persistência do passado valeu a pena! Fico muito feliz em não ter desistido la atrás  e não consigo imaginar pai mais doce e carinhoso para o meu filho.

E para curar tanta doçura e festejar o dia dos pais fizemos, a quatro mãos, essa sobremesa que além de tudo é a preferida do papai!

 

Potinhos de limão siciliano com coulis de framboesa (Serve 8 )

 

1 lata de leite condensado

a mesma medida de creme de leite fresco

suco de 2 limões sicilianos 

4 ovos

raspas da casca dos limões – somente a parte amarelinha

Para o coulis:

150 gr de framboesa

2 colheres de açucar

1/2 colher de suco de limão

 

Pré aquecer o forno a 180 graus.

Bater todos os ingredientes no liquidificador, exceto as raspas das cascas dos limões. Passar a mistura por uma peneira.

Acrescentar as raspas e colocar em ramequins individuais. Colocar os ramequins em uma assadeira e encher com água quente até a metade dos ramequins. Assar em banho maria por 1 hora ou até que estejam firmes. Faça o teste do palito.

Deixe esfriar sobre uma gradinha e coloque na geladeira por 1 hora.

Pulsar os ingredientes do coulis no liquidificador. Servir uma colherada sobre o creminho já frio. E desfrute esta delícia azedinha porque de doce já basta o papai!

 

Dia dos Pais com Paella

A vida está cada vez mais corrida. Domingo é Dia dos Pais no Brasil e nem deu tempo de preparar um menu bacana como fizemos no ano passado. Nossa! Já passou um ano?? Num falei que a vida está Fast and Furious!!!

Mas o que seria de nossas vidas se não fossem as boas amigas? Fui surpreendida por uma deliciosa mensagem da minha querida amiga Ana Lucia, aquela que me segue por todas as viagens e que já passou por aqui, pedindo uma receita de paella. O mais legal disso tudo é que a Ana não prepara nem um ovo frito (!) e decidiu preparar uma paella para seu pai neste domingo! Fiquei super feliz em imaginar que o nosso blog está causando este efeito nas pessoas! É o máximo!

Esta receita tem o nome de Paella Celebração e achei perfeita para a data!  Fiz algumas adaptações pois ela me pediu uma Paella de frutos do mar. Mas quem quiser acrescentar frango, linguiça, pato, coelho é muito bem vindo!!!

Ana, aproveita e prepara o pudim de claras para a sobremesa!

 

 

Paella Celebração (Serve 6)

200 gr de camarões sem casca

200 gr de lula em anéis

200 gr de peixe de carne firme cortado em cubos (cação ou garoupa)

300 gr de mexilhões frescos

90 ml de vinho branco

150 gr de vagem, cortadas em pedaços de 2,5cm

90 ml (6 colheres de sopa) de azeite de oliva

1 cebola grande picada

3 dentes de alho picados

1 pimentão vermelho sem sementes cortado em finas tiras

1 pimentão verde sem sementes cortado em finas tiras

2 tomates maduros, sem pele nem sementes, picados

900 ml de caldo de peixe ou frango

1 pitada de açafrão (dissolver em 30 ml de água fervente)

350 gr de arroz espanhol próprio para paella (ou arbório)

120 gr de ervilhas congeladas

10 azeitonas verdes fatiadas

sal e pimenta, o quanto baste

6 lagostins

 

Comece limpando os camarões, fazendo uma incisão nas “costas” do camarão e retire os intestinos. Enxague em água corrente e reserve. 

 

Escove a casca dos mexilhões e enxague em água corrente e remova os 

“cabelos” com uma
faca pequena ou puxando com força, mas com cuidado para não arrebentar. Jogue fora os mexilhões que já estiverem abertos.

Coloque os mussels em uma panela grande com o vinho e deixe ferver. Cubra a panela com uma tampa e cozinhe por 3 a 4 minutos, ou até que os mexilhões se abram. Coe, mas reserve o líquido e descarte os mexilhões que não se abriram.

Cozinhe as vagens por 3 minutos em água fervente.

Numa paellera ou uma panela grande e rasa aqueça o azeite. Cozinhe os camarões até que fiquem rosados. Reserve.

A fogo médio frite a cebola e o alho e deixe dourar levemente. Acrescente os pimentões reservando algumas tiras para decorar. Mexa para não grudar. Acrescente os tomates e cozinhe por 2 a 3 minutos até que comece a espessar.

Acrescente os anéis de lula e mexa para que todos os ingredientes se incorporem.

Adicione o caldo, o líquido de cozimento dos mexilhões e o líquido do açafrão. Tempere com sal e pimenta. Quando começar a ferver, adicione o arroz. Mexa bem, acrescente a vagem e cozinhe a fogo alto por 10 minutos. Abaixe o fogo para médio e coloque os camarões e os pedaços de peixe para cozinhar por uns 8 minutos até que todo o líquido tenha sido absorvido.

Enquanto isso frite os lagostins em azeite de oliva até que se tornem rosados.

Acrescente os mexilhões, as ervilhas, as azeitonas e  decore com as fatias dos pimentões e os langostins. Cubra com papel alumínio e cozinhe por mais 3 minutos a fogo lento. Retire a panela do fogo e deixe descansar por 10 minutos antes de servir.

Ufa! Mas valerá cada minuto!

Dia dos Pais

Shanks de Cordeiro

Quer curtir seu pai e toda a familía com o melhor presente? Então, cozinhe você o almoço! 

Sugerimos aqui um menu super simples, delicioso, confortante e que não levará horas para fazer. Enquanto está tudo no forno você curte o paizão e ainda ganha os méritos de cozinheira do ano!

Nota especial: Este menu foi preparado carinhosamente para os pais maravilhosos que nossos filhos tem! Feliz Dia dos Pais!

Sugestão para 6 pessoas

Entrada:  Salada de rúcula e camembert

Prato Principal:  Shank de Cordeiro com polenta cremosa

Sobremesa: Torta de maçã

Salada de Rúcula e Camembert

– 3 maços de rúcula orgânica

– 6 queijos camembert pequenos (3cm de diâmetro)

– 2 ovo

– 1  xícara de farinha de rosca

– 1 xícara de castanha de cajú moída

– 3 colheres de sopa de vinagre balsâmico com pera (este é melhor porque é mais adocicado e a pera combinha com o queijo, mas pode-se substituí-lo pelo tradicional)

– 9 colheres de sopa de azeite de qualidade

– sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo:

Lavar as folhas de rúcula, secar, dispor em pratos individuais e reservar.

Bater ligeiramente com um garfo os 2 ovos em uma vasilha aberta. Misturar a farinha de rosca e castanha e colocar em outra vasilha aberta. Pegar os queijos e empanar, passando-os pelo ovo e depois pema mistura da farinha. Repetir este processo por 2 vezes, cobrindo toda a superfície do queijo.

Colocar os queijos empanados para dourar em uma frigideira antiaderente, untada com óleo,  aquecida em fogo baixo. Virar cuidadosamente com uma pinça ou espatula, até dourá-lo por completo, inclusive as laterais.

Enquanto isso, misturar o azeite, vinagre, sal e pimenta, emulsionando ligeiramente com um misturardor ou garfo até engrossar um pouco. Distribuir o molho sobre as folhas e colocar os queijos sobre tudo. Servir imediatamente.

Shank de Cordeiro com polenta cremosa

– ½ xícara de farinha de trigo
– 6 shanks de cordeiro
– Sal e pimenta-do-reino, o quanto baste
– 4 colheres (sopa) de azeite de oliva
– 2 colheres (sopa) manteiga
– 2 cenouras, finamente picadas
– 1 cebola, finamente picada
– 1 talo de salsão, finamente picado
– 1 ramo de alecrim picado
– 2 colheres (sopa) de tomilho picado
– 4 dentes de alho picados
– 2 xícaras de caldo de galinha
– 2 xícaras de vinho tinto
– 200 g tomate pelado, sem sementes e picados
– ½ litro de água
– ½ litro de leite
– 1 xícara de fubá de milho pré-cozido ou polenta pré cozida
– 4 colheres (sopa) de manteiga
– sal a gosto

Modo de preparo:

Pré-aqueça o forno a 160 graus. Cubra a ponta do osso de cada shank com papel alumínio. Isso ajudará que o pouco de carne que estiver no osso não se queime e manterá uma aparência melhor. Tempere a carne com sal e pimenta. Passe a carne pela farinha.

Em uma panela suficientemente grande que caibam os 6 shanks e que possa ir ao forno aqueça 2 colheres de azeite e 2 colheres de manteiga. Coloque a carne para dourar, uma de cada vez, para que a temperatura do azeite não caia e você não acabe cozinhando a carne ao invés de dourá-la. Reserve.

Em fogo médio, despeje as duas colheres restantes de azeite na panela. Adicione a cenoura, a cebola, o salsão, o alecrim e o tomilho e refogue, mexendo até que os vegetais estejam tenros – de 6 a 8 minutos. Acrescente o alho e cozinhe por mais 1 minuto.

Regresse a carne para a panela. Tenha o cuidado de colocá-las em pé, ou seja, os ossos para cima. Acrescente o vinho e espere que o alcool se evapore. Uns 3 a 4 minutos. Misture o caldo de galinha e os  tomates com o refogado da panela. Cozinhe em fogo baixo com alguns minutos de fervura e retire a espuma que vai se formando com uma escumadeira. Tampe a panela e leve ao forno por cerca de 2 horas, até que a carne esteja bem macia, começando a soltar do osso.

20 minutos antes de terminar o cozimento da carne, prepare a polenta. Coloque a água para ferver com a manteiga. Misture o fubá com o leite. Quando a água levantar fervura acrescente a mistura de fubá e cozinhe, em fogo baixo mexendo sempre até que a polenta esteja cremosa (o tempo de cozimento dependerá do fubá que você utilizar. Dê uma checada nas instruções da embalagem). Corrija o sal, se necessário.

Para servir (nada de panelas sobre a mesa!), retire o papel aluminio dos ossos. Coloque uma porção de polenta no prato e por cima um shank de cordeiro. Regue com o molho.

Torta de maçã

– 2 xícaras de farinha de trigo
– 2 colheres (sopa) de açúcar de confeiteiro
– 150 g de manteiga gelada, cortada em pedaços
– 4 a 6 colheres (sopa) de água

Recheio (pode ser preparado com antecedência):
– 1,5 kg de maçãs
– 1/3 xícara de farinha de trigo
– 1/2 xícara de açúcar mascavo
– 1/2 colher (chá) de canela em pó
– 1/4 colher (chá) cravo moído
– 1/4 colher (chá) anis estrelado moído
– Suco de 1 limão
– 2 colheres (chá) de conhaque

Cobertura:
– 1/3 xícara de açúcar
– 1 gema de ovo

Modo de preparo:

Aqueça o forno a 160° C. Misture a farinha, o açúcar e a manteiga num processador de alimentos utilizando a tecla pulsar até que obtenha a consistência de farofa. Não bata muito pois a manteiga se derreterá e não é isso que queremos! Transfira esta farofa para uma bancada de trabalho. Adicione a água, uma colher de cada vez e amasse delicadamente com as pontas dos dedos até formar uma massa homogênea. Leve à geladeira por aproximadamente 15 minutos para descansar.

Misture os ingredientes secos do recheio. Descasque e fatie as maçãs (para esta torta eu prefiro pedaços ou fatias grossas) acrescente o limão, o conhaque e a mistura acima aos poucos. Deixe descansar para formar caldo.

Montagem da torta:
Divida a massa em duas partes. Abra em superfície enfarinhada com um rolo na espessura de 3 mm ou entre duas folhas de clingfilm para facilitar a transferência para a forma.

Transfira a massa para uma forma ou pirex de 24 cm untada com manteiga, deixando uma borda para fechar depois com a parte superior. Coloque o recheio, mas sem muito caldo e cubra com o restante da massa. Aperte as laterais como na foto. Faça cortes na tampa para que saia o vapor.

Pincele com a gema e polvilhe o açucar. Asse em forno pré-aquecido por cerca de 45 minutos ou até dourar. Sirva quente acompanhada de uma bola de sorvete de creme.