Ainda sobre falafel…

Fallafel, arábe, petisco, lanche

Lendo o post sobre o sanduíche de falafel em Paris, minha cunhada me pediu uma receitinha para poder fazer em casa. Então aí vai uma que fiz outro dia…

 

 

Fallafel, arábe, petisco, lanche
Esse falafel com uma cervejinha...

Falafel

– 250 g de grão-de-bico sem pele (é bom deixá-lo de molho por, pelo menos, 3 horas)

–  250 g de batata cozida e espremida (como para purê)

– 1 cebola picada bem miúda

– 2 dentes de alho amassados

1/2 xíc. (chá) de coentro (ou salsinha para quem tem restrição) picada

– 1 colher (chá) de cominho em casino spiele

-1 pimenta dedo de moça bem picadinha

–  sal e pimenta (árabe ou do reino branca) moída a gosto

– 1 colher (chá) de bicarbonato de sódio

– óleo para fritar

Num processador coloque grão-de-bico sem pele e processe até virar casino online uma massa. Coloque em uma vasilha e adicione a batata, cebola, alhos, cominho, coentro, sal, pimentas e, por último, bicarbonato de sódio. Misture muito bem.

Em seguida, faça pequenos bolinhos e frite-os em óleo não muito quente (150ºC a 160ºC) para cozinhar por dentro e dourar por fora.

Sirva imediatamente, com uma saladinha ou em sanduíche. O molho tarrine combina super bem com o falafel. Bom apetite!!!

* se quiser fazer uma opção um pouco mais light, pode-se assar o falafel, mas não é a mesma coisa…

O pão nosso de cada dia!

Hoje comecei uma nova odisséia em minha cozinha. Andei  lendo o Blog do Luiz Américo assiduamente e resolvi, como muitos outros leitores, encarar o desafio de fazer um pão artesanal em meu forno doméstico.

Foram 96 horas de trabalho em cima de um levain ou fermento caseiro que no inicio quase morreu e não vingou. Mas com muito amor, persistência, água e farinha obtive uma levedura perfeita. Assim acredito eu e todos os que comeram o primeiro Pain au Levain que saiu do forno de meu modesto fogão Mabe.
Não vou postar aqui a maneira de se “criar” a levedura nem a receita do pão, pois tudo está muito bem explicado e comentado em vários posts e centenas de comentários de aspirantes a padeiro ou entusiastas, ou ainda simplesmente amantes de pão, como eu.

Meu marido sempre me olha com grandes olhos bem abertos todas as vezes que vamos a um restaurante e o pãozinho do couvert chega a nossa mesa. Ele sabe que corro o seríssimo risco de não passar do couvert se os paes forem bons. Se maravilhosos o forem…  Hummmmmm!

Já fiz alguns paes antes, mas nunca estive tão empolgada com o produto final já que o seu sucesso dependeria muito da levedura que eu mesma tinha criado dias antes. E não foram somente os momentos de mesclar a massa e sová-la, mas  os dias que acordei as 4.30am para “refrescar” o levain, pesá-lo, aerá-lo… Foi todo um projeto que começou como uma brincadeira e se tornou em uma objeção. Dias antes já sabia quando iria prepará-lo, já havia comprado os ingredientes, testado a qualidade das farinhas. Minha cozinha parecia um laboratório com termômetros medindo temperaturas em diferentes pontos e até consegui um aparelho engenhoso para medir a umidade do ar já que a secura da Cidade do México poderia colocar o meu pão a perder.

Pedi para meu marido sair com meu filho para que não houvesse nenhum obstáculo em meu caminho. Mais uma vez li os postos, revisei os ingredientes e me preparei. Estava ansiosa e este sentimento brotou um pouquinho de nervosismo em mim. Me antecipei avisando muita gente sobre o meu Pain au Levain e duas amigas já haviam me telefonado para saber como estava e se já podiam comê-lo. E se desse errado? Decide não atender mais ao telefone. Todo esse mundão de gente faminta na minha porta fazendo uma passeata? Eu trancada no banheiro com medo de ser linchada? Por um momento pensei em correr até a Le Pain Cotidien e comprar uns paes para me garantir. Que tolice! Eles queriam o meu pão e não o pão que qualquer um pode ir comprar na padaria. Estavam esperando pelo meu sucesso e felizes por isso. Este pensamento me acalmou e fui, literalmente, colocar a mao na massa!

Antes, me lembrei que precisaria de uma receita para postar aqui, já que havia decidido não postar a receita do Luiz. Me lembrei de uma receita maravilhosa que já fiz várias vezes e que é simplesmente sensacional e aprendi na TV. Imaginem uma chef francesa, linda, simpática, passando receitas de comidinhas francesas desde sua cozinha em Paris? Então, assim é o programa “French Food at Home” do Canal Casa Club TV, transmitido aqui no México na sintonia 226 da Cablevision (esta é a minha TV por assinatura).

O que mais me chamou a atenção quando vi esta receita pela primeira vez é que o pão é assado numa panela de ferro Le Creuset tampada. Não sabia, mas esta é uma maneira muito comum de se assar paes na Franca. Bem, quando se trata de comer bem e fazer bem feito, palmas para a Franca!

Ademais a receita é facílima, não requer nada de umidade, pedra, vapor, forno combinado e todas as parafernálias que a padaria exige para um pão perfeito.

Agora que já estou num estágio mais “avançado” na minha padaria, vou provar o meu pão de panela (assim o apelidei!) com minha levedura perfeita!  Sim, sim, já podem formar fila em frente da minha porta!
Miracle Boule
3 xícaras de farinha
1/4 de colher de chá de fermento instantaneo seco
1-1/4 de colher de chá de sal
1-1/2 xícaras de água
Semolina ou farinha extra o quanto baste
1. Misture a farinha, o fermento e o sal em uma tigela. Adicione a água e vá mesclando. O resultado é algo bem molhado, desgranhoso, pegajoso mas nao líquido. Cubra sua tigela um pano prato e deixe descansar por pelo menos 12 horas, mas nao mais que 24 horas (este tempo dependerá muito do clima – mais seco, quente, úmido – voce perceberá). Após o descanso estará pronto para o próximo passo se sua superfície estiver cheia de bolhas.
Coloque farinha em uma mesa de trabalho e coloque a massa sobre ela. Polvilhe sobre sua massa um pouco mais de farinha e dobre-a umas duas vezes. Cubra com o pano de prato e deixe descansar por 15 minutos.
Usando pouca farinha , suficiente para nao deixar a massa grudar em suas maos, modele a massa como uma bola. Coloque farinha ou semolina em uma pano de prato, de preferencia de algodao e coloque a massa ai para descansar com a “costura” para baixo. Polvilhe mais semolina sobre a massa – voce precisa de bastante farinha para assegurar-se que a massa nao grude no pano de prato. Cubra e deixe descansar por 2 horas. Quando estiver pronta a massa terá dobrado de tamanho.
Meia hora antes da massa estar pronta, aqueca o seu forno a 230C/450F. Coloque uma panela de ferro que tenha tampo para aquecer. Após a meia hora da panela o forno, retire-a do forno, coloque a massa na panela – sem o pano de prato! De uma balancadinha na panela para que a massa se ajuste. Tampe  panela e asse por 30 minutos. Retire a tampa e asse por mais 15 minutos ou até que seu pao esteja bem corado! Deixe esfriar em uma grelha. Voilá!

I’m late, I’m late for a very important date!®

Alice no Pais das Maravilhas é o primeiro livro que me lembro de ter lido. Não me lembro quando isso aconteceu, mas as lembranças de estar na sala de TV da casa em que cresci deitada no sofá de couro de porco com almofadas de chenille me são claras. Era um livro de capa dura, acho que laranja de uma coleção que tampouco me lembro o nome (ai… memória boa!) que cada livro tinha uma capa de cor diferente. Desta coleção também li Moby Dick,  Alice através do Espelho. Acho que assim começou minha jornada pela leitura. Talvez isso explique um pouco o meu gosto por livros de histórias malucas, sem muito sentido e  cheias de criatividade!

Vi o filme de animacao da Disney® de 1951 e sigo vendo com meu filho. Quero que ele goste tanto quanto eu do Chapeleiro Maluco, do Coelho Branco e do mundo de criatividade por onde passeia Alice.

Nem preciso falar a ansiedade que tinha em assistir a produção de Alice feita por Tim Burton. Juntou a fome com a vontade de comer! E eu estava faminta. Mas como no próprio filme, nem tudo é claro. Todas as noites, enquanto eu tentava dormir, meu marido lia o que os críticos de cinema estavam falando sobre o filme me deixando apreensiva e um pouco confusa com minhas idéias e opiniões – sim, já tinha uma opinião sobre o filme antes mesmo de assisti-lo. Afinal, era Alice e Tim Burton. Que casamento! Já imaginava os personagens  com suas feições desfiguradas, furry,  insandecidos, engraçados e sombrios. Óbvio que muito era influencia dos traillers que já havia visto no YouTube

Enfim chegou o grande dia! Nunca vou a pré estréias, estréias ou coisas do gênero. Sempre há muita gente, o atendimento é ruim, já sento na minha cadeirinha estressada e até que eu consiga relaxar, metade do filme já se passou. Mas dessa vez…

Comprei entrada para o VIP, pois era um evento especial. Desde que vi anunciada a produção acompanhei e vibrei . Então, pelo menos a cadeira tinha que ser mais confortável – talvez sonhava como era confortável o sofá lá de casa…

Eu já sabia que o filme era uma adaptaçâo, pois no próprio trailler diz que Alice volta ao país das maravilhas 10 anos depois. E por isso mesmo queria muito vê-lo. Não estava interessada na fidelidade de Tim Burton ao escrever o roteiro mas quais seriam as novidades… Não vou falar muito aquí para nao estragar a surpresa dos que não viram e também porque este não é o tema deste blog. Mas tenho que comentar que a cena do chá que a princípio me pareceu triste, desfigurada, mas com todo o toque de loucura que lhe é peculiar me agradou muito. Era um momento pelo qual eu estava esperando. Ademas de saber que ai apareceria o meu queridinho Johnny Deep, como o Chapeleiro Maluco, em mais uma de suas brilhantes atuações. E obrigada a Tim Burtom por nos presentar com uma sútil e quase imperceptível lembrança de Edward maos de Tesoura! (Meu marido nem percebeu…).  Quando Milly diz “Pass me the scones, please?” com o delicioso sotaque briâanico, meus olhos e minha boca se encheram de água e por alguns momentos e eu só pensava nos deliciosos scones, lady fingers, Earl Grey, shortbreads que poderiam fazer parte desta cerimônia gastrolouca!

Me lembrei dos mini scones que preparava quando trabalhei no “Clare’s Kitchen”, em Londres. Preparavamos muitos chás da tarde, não tão criativos quanto o de Lewis Carroll, mas deliciosos e lindos. Me lembro de um casal japonês que foi do Japão só para se casar em Londres (isso é muito comum!) e pediram para prepararmos um Tradicional English Tea para celebrar o matrimônio. Claro que o evento ocorreria as 5 da tarde! Foi nesta época que descobri que o tradicional chá das cinco inglês foi introduzido por Catarina de Bragança, de origem portuguesa! Ela já costumava fazer seu lanchinho a tarde e levou este costume ao Reino Unido ao casar-se com o Rei Charles II. E ai ficou e perdura até os dias atuais.

No evento nipônico, além dos tradicionais sanduiches, foram servidos os mini scones com geléia caseira de morangos e clotted cream. Ai… Como explicar o que é clotted cream? Sabe brigadeiro, farofa, guaraná, saudade, coisas que só mesmo brasileiros sabem o que é? Entao, clotted cream só os britânicos sabem o que é.
Juro que queria meu casamento assim, também. Que delícia, que chic, que diferente. E juro também que scones deveriam estar na lista dos alimentos que se deve comer antes de morrer! Entao nao morra de vontade e já prá cozinha prepará-los!

SCONES

2 xícaras de farinha de trigo (280gr)

2 colheres de chá de fermento comum (10gr)

¼ de xícara de açucar refinado (50gr)

½ colher de chá de sal

½ xícara de manteiga gelada cortada em cubos pequenos (100gr)

1 ovo grande

½  xícara de leite integral (120ml) – a receita original pede half-and-half, que é um creme de leite ralo com teor de gordura de 12,5%
1 ovo batido com água para untar

Geléia de morango, creme clotted, lemon curd… para acompanhar

Aqueça o forno a 190 graus. Em uma tigela misture a farinha, o fermento, açucar e o sal. Adicione a manteiga e mescle até conseguir uma mistura parecida a areia grossa.

Em outra tigela bata os ovos e o leite. Adicione essa mistura aos ingredientes secos e mexa com um garfo até que os ingredientes se misturem, mas sem bater. Faca uma bola e transfira para uma mesa de trabalho enfarinhada. Sove algumas vezes até obter uma massa homogênea. Abra a massa a uma espessura de 3 cm e com um cortador de 6.5cm de diâmetro corte os scones. DICA: Nao os corte diretamente, mas girando o cortador para que a massa nao se “amasse” e os scones crescam uniformes. Este método é o tradicional. Alternativamente, a massa poderá ser aberta em forma de circulo e cortada com uma faca bem afiada em 8 fatias (triângulos).  Ou até mesmo em quadrados! Assim devem ser os scones do chá que Lewis Carroll imaginou! Pincele-os com o ovo batido. Coloque-os em uma assadeira e asse por 15 minutos ou até que estejam corados.
A textura ideal de um scone é leve e macia por dentro e quebradiço por fora.

Ainda mornos abra-os ao meio e coloque uma colherada de geléia e MUITO creme por cima. Prepare um chá (sim, tem que ser chá) e deleite-se!

Como explicar o que é esta maravilha??

Será que parei no tempo?

Resolvi comemorar meu aniversario em grande estilo. Afinal de contas, não é todo ano que fazemos 37! Preparei-me com um mês de antecedência, bolando um cardápio que pudesse ser feito ao longo do tempo sem estresse (isso realmente é impossível na cozinha!) para meus 80 convidados.  Tudo perfeito. Contratei um DJ e um barman para fazer todos aqueles malabares como parte do entretenimento da festa. Servimos champagne, vinho, cerveja, drinks variados tais como Hi-Fi… An? Hi-Fi? Que loucura? Parei no tempo? Quem ainda toma Hi-Fi? E olha que Hi-Fi nem é do “meu tempo”! E descobri que ninguém toma Hi-Fi! Foram dúzias de fatias de laranja que deveriam enfeitar o copo dos convivas amontoadas na minha cozinha no dia seguinte! Ainda mais, ouvi de uma amiga que suco de laranja e vodka é screwdriver. Hi-Fi é refrigerante de laranja com vodka! Além de tudo fiquei com cara de… laranja!?!

Mas se a vida te dá uma laranja, não faca um suco porque te dará apenas ¾ de um copo. Faça um bolo rápido, facílimo e DIVINO! Juro que nunca comi um bolo de laranja que não parecesse um bolo comum com um… arominha de laranja. Este tem pedaços de laranja pois é feito com a laranja inteira! Isso mesmo.  Este bolo fiz com uma laranja que se chama Navel. Nunca a havia visto antes é deliciosamente doce e lembra muito a uma mixirica, mas é mesmo uma laranja. Descobri que é uma mutação de uma variedade de laranja que era cultivada em um monastério no Brasil lá nos idos de 1820. Tem este nome porque tem como um “umbigo” (navel, em inglês) em uma de suas extremidades que na verdade é uma outra laranja atrofiada. Nas minhas não percebi esta aberração, mas apenas o cheiro cítrico delicioso e doce.

orange cake, orange-cake, doce, lanche, receita da vovó Se foto tivesse cheiro…

Em tempo: esta receita aprendi com uma grande amiga chef de pasteleria em Londres. Fui a sua casa uma tarde e enquanto conversávamos na cozinha sem que eu percebesse ela fez este bolo. Viu como é rápido e fácil?

Bolo de laranja da Geisa

1 laranja grande (+/- 225gr)

1 xícara de óleo

3 ovos

2 xícaras de açúcar

2 xícaras de farinha de trigo

1 colher de chá de fermento em pó

Pré aqueça o forno a 180 graus. Unte uma forma para bolos.

Corte a laranja em 4. Retire as sementes. No liquidificador bata a laranja, óleo e os ovos por 3 minutos.

Em uma tigela peneire a farinha, o açúcar e o fermento. Adicione a mescla de laranja e misture bem, mas sem bater.

Assar por 30 minutos ou até que um palito saia limpo.