Muvuca, Mocotó e Comida boa da peste!

Hoje eu fiz algo que sempre me neguei a fazer e que nunca tinha feito. Esperei por duas horas para almoçar em um restaurante. Nenhuma comida pode ser tão boa – ou a última da minha vida – que eu tenha que esperar tanto… Será?

Decidimos encarar e ver de perto o que é que o Mocotó tem. E por já saber das filas e espera de 2 horas nos preparamos para chegar lá ao meio-dia. Qual paulistano sai num domingo e vai até a Vila Medeiros para almoçar ao meio-dia? MUITOS!!  Assim que chegamos colocamos o nome na lista de espera e fomos, gentilmente avisados pelo “Caiçara” que a espera seria de 2 horas. “Ok, mas não acho que vou esperar” eu respondi.

Enquanto esperávamos por nossos outros convidados pedimos uma cerveja, mas a decisão já estava tomada: nenhuma comida, por melhor que seja, merece que eu fique na Vila Medeiros, em pé, no sol, esperando para pagar para comer. Nem era de graça!!!!! A tentação era atravessar a rua e ir até o restaurante da esquina que também vende comida nordestina.

Foi aí que a salvação do Rodrigo Oliveira (!) – e a nossa! – apareceu. Esperávamos em frente a uma obra que também é do Mocotó e vi umas cadeiras tortas e jogadas no meio de entulho. Uma muvuca! E como eu sou bem enxerida e continuava não querendo ficar em pé esperando para comer, comecei a resolver este problema. Arrumei duas cadeiras, que estavam com os pés quebrados, mas só descobrimos mais tarde, e uma banqueta. Assim começou nosso almoço! -(Só mais tarde, também, descobri que quem estava sentado em uma destas cadeiras, um pouquinho antes, fumando ao nosso lado, era seu Zé Almeida, o pai do Rodrigo e quem merece todo nosso respeito por ter um filho e um restaurante tão bons!).

A partir de então tudo começou a mudar de figura! Começamos com os dadinhos de tapioca e queijo de coalho servido com molho de pimenta agridoce. Delicioso e delicado. Derretia na boca! E mais cerveja. E uma caipirinha de cajú. Isso tudo na calçada, ouvindo os “mano” passarem com o volume do som do carro no último volume e vendo a galera subir e descer do 121G-10 Parque Novo Mundo. 

Depois vieram as torradinhas de carne de sol e queijo coalho e escondidinho de carne seca. O mais impressionante é o atendimento dos garçons que ficam prá lá e prá cá ouvindo o povo desesperado querendo ser atendido. O Julio e o Leandro foram campeões! Não erraram um só pedido e estavam o tempo todo sorrindo! 

Nessa altura do campeonato eu já estava amiga de toda a equipe e tentava, em vão, subornar o Caiçara e a Yasmin para liberar nossa mesa. Nem com as táticas de idoso e criança de colo funcionou… E o Caiçara continuava sorrindo em meio a essa maluquice!

Foi nesse momento que vimos o Rodrigo Oliveira lá na cozinha sorrindo e feliz. O cabra é macho mesmo! Fui até lá para cumprimentá-lo com o Pedrinho e a primeira coisa que ele fez foi abraçá-lo e lhe ofereceu um potinho de mandioca chips. Pronto! Eu esperaria mais cinco horas para almoçar! Além de cabra macho Rodrigo é gentil e hospitaleiro. Com a zona que é aquele lugar ele faz todo mundo querer ficar e se sentir em casa!

Depois de rodar tanto pelo salão e ver aquele montão de delícias pelas mesas, assim que sentamos eu já sabia o que pedir. Eu estava salivando! Pedimos o Baião de Dois, que veio muito leve e saboroso. Com bacon e carne seca na medida certa, sem estar gorduroso nem pesado. A Peixadinha do São Francisco também é uma excelente opção. Os pedaços de pintados estavam suculentos e envolvidos num molho de leite de coco delicioso. A farofa de castanhas com coco queimado deu toque todo especial. E ainda a Carne de Sol Assada com manteiga de garrafa, muito tenra, vem com pimenta biquinho e alho assado, tudo isso na chapa. Dava prá passar a tarde comendo, bebendo cerveja e jogando conversa fora!

Mas, depois de toda essa comilança, o ponto alto foi a sobremesa. CARTOLA! Não se esqueçam desse nome: Cartola do Engenho. Um doce tradicional pernambucano com o toque do chef. Affff! Banana com melaço, queijo manteiga e farofinha de açucar e canela! Ah! Esqueci de dizer que o Pedrinho quis uma salada de frutas que vem deliciosamente montada sobre um pão de ló e um chantilly com raspinhas de limão! Uma simples salada de frutas virou uma super sobremesa! 

Enfim, se você ainda não foi até o Mocotó, prepare-se, muna-se de paciência e de um GPS e vá. Não espere mais. Nem espere lá. Vá até a obra do que deverá ser a Padaria Mocotó – inside info! – monte teu cafofo na esquina e seja feliz!

Aproveite e dê uma olhadinha no site. A história é bem bacana!

Mocotó Restaurante e Cachaçaria

Av Nossa senhora do Loreto, 1100
Vila Medeiros – São Paulo – SP

Um (pedacinho) pecadinho de bolo de mandioca com côco

bolo

Nos últimos dias, andei testando várias receitas para um trabalho super especial que surgiu…

Aí, entre uma receita e outra, bateu um desejo de fazer um bolo que amo, mas siceramente, apesar das minhas raízes, nunca tinha feito. Só que ele tinha tudo a ver com o projeto: bolo de mandioca (como boa mineira ou aipim) com côco. Pedi para minha mãe a receita dela e fui testar… Na verdade, existem várias formas de fazer este bolo. Nos próximos dias, testarei outras e comento aqui.

A hora de fazer foi  uma novela a parte, pois não tinha um prato fundo daquele das antigas, tive que bater na porta da vizinha, qua acabou presentada com um dos testes… então, para facilitar a sua vida, medi as porções e coloco as duas opções de receita. Lembro que este bolo não é fofinho, aerado como os outros. É mais compacto por causa da mandioca. Mas tem uma liga, um sabor… huuuuummmm! Me acabei no bolo, acompanhado de um bom café coado… e assim virou mais uma história de um pedacinho que virou pecadinho…

Receita de Bolo de Mandioca com Côco – receita da D. Eloíza

– 1 prato fundo, cheio atá a borda,  de  côco fresco  ralado – isso dá cerca de 200g. Se vc preferir o côco seco, coloque-o de molho em 2 garrafas de leite de côco para hidratar por cerca de 30 min e depois pese.

–  1 prato fundo, pelo friso, de mandioca ralada, grosseiramente – cerca de 480g

– 1 xícara  e meia  de  açúcar – eu diminuí um pouco o açúcar. Pus só 1 xícara, gostei. Ficou equilibrado. Mas para quem ama açúcar pode ter ficado sem graça. – equivalência de xícara, veja no nosso “Pesos e Medidas”.

– 1  xícara  de queijo meia cura

– 4 ovos, sendo as claras em neve

– 1/2 copo de óleo ou 2 colheres de manteiga – usei a manteiga

– 1  colher (sobremesa) de canela – não pus

– 1 pitada de sal

– 1 colher (sopa rasa) de fermento

Modo de preparo:

1-Préaquecer o forno a 180 graus.

2- Misturar todos os ingredientes, menos as claras.

3- Acrescentar as claras em neve e colocar em forma untada.

4- Levar ao forno a 180 graus e quando  crescer, abaixar para 160 até dourar.

Rabada com Agrião Desengordurada!

Agora que resolvi fechar as portas do meu catering, temporariamente, para cuidar da minha volta ao Brasil, vou postar as minhas melhores receitas e segredos por aqui! Que sorte a de vocês! 😉

Na verdade, não é justo deixar os meus clientes na mão. E comer bem é um direito de todos! Então, se você já comeu esta rabada, sinta-se muito sortudo(a) e guarde este tesouro no teu cofre. Se você não teve esta sorte, ainda, prepare-se!!

 

Esta receita é uma adaptação de várias outras que eu fui compilando e foi a receita que eu usei para a famosa “Rabada do Rached”. Um presente de aniversário para um grande amigo que rendeu elogios e suspiros e uma imensa vontade de “quero mais”.

E se você está torcendo o nariz ao ler este post, pode parar de lê-lo AGORA!!! Só vou entender se você conseguir me convencer de que a carne do rabo do boi não é saborosa. E se nunca experimentou, nem fale mais comigo. Não gosto de gente preconceituosa!!! O rabo do boi não tem nada de mais. Fica ali, abanando prá lá e prá cá…

 

Pensando bem, tem sim! Tem muita gordura e recobre todo o osso do rabo. E como toda carne com osso e gordura é muito saborosa.

 

Ah… Aposto então que tua desculpa ara não comer rabada é a gordura? A minha não. Leia com atenção a receita e só não deixe a saliva cair em cima do teclado!!!

 

Rabada (serve 6 pessoas)

 

Este receita tem que começar a preparar 2 dias antes de servir.

2 kilos de rabo de boi cortado em pedaços médios (como todo ingrediente, quanto mais fresco melhor! Este rabo que cozinhei estava tão fresco que quando o açougueiro deu a primeira machadada para cortá-lo espirrou sangue prá todo lado! Quase uma bendição!!!) 

4 limões ou vinagre, o quanto baste

sal e pimenta do reino a gosto

1 cebola branca grande

4 dentes de alho

4 ramos de alecrim

4 ramos de tomilho

1 punhado de salsinha

400 ml de vinho tinto

2 folhas de louro seco

2 latas de tomate picado

caldo de carne ou água, o quanto baste

2 maços de agrião lavados e escorridos

 

Limpe os pedaços de rabo retirando o excesso de gordura (só o excesso) e os nervos. Passar os limões ou o vinagre e lavar em água corrente. Secar e temperar com sal e pimenta do reino. Reservar.

Em um processador de alimentos colocar a cebola, alhos, as ervas sem os talos e picar. Juntar o vinho e regar a carne. Tente fazer uma única camada de carne em uma panela ou travessa para que todos os pedaços fiquem na marinada. Cobrir com plático e deixar a carne na marinada por, no mínimo, 12 horas, na geladeira.

No dia seguinte, retirar a carne da marinada e secar bem com papel toalha. Aqueça o forno a 180 graus. Em uma panela grande, que possa ir ao forno, dourar os pedaços de rabo. Não coloque muitos pedaços ao mesmo tempo na panela. Se necessário repita a operação. Colocar a carne de volta na panela, acrescentar a marinada, 2 folhas de louro, os tomates picados e cobrir com o caldo de carne ou água. Deixe ferver e retire a espuma que se forma na superfície.  Prove o sal e a pimenta. Tampe a panela e coloque para cozinhar no forno por 1 hora, ou até que a carne esteja bem macia, quase soltando do osso. Hummmmm. (Se você preferir usar panela de pressão, cozinhe por 30 minutos, ou até que a carne esteja macia).

Separe a carne do molho e deixe ambos esfriar. A carne deve ser guardada na geladeira até o momento de ser usada. A gordura do molho, ao esfriar, se solidificará e será muito fácil de retirá-la com uma colher (que segredão!!!). Este processo pode demorar 24 horas. Já sem a gordura o molho deverá ser guardado na geladeira ou utilizado de imediato.

No dia da rabada, coloque o molho desengordurado numa panela e deixe ferver. Coloque as carnes no molho e ferva, novamente, a fogo lento. Prove o sal e a pimenta. No momento de servir coloque o agrião sobre a rabada e abafe por alguns segundos. Eu gosto do agrião fresquinho por cima, não todo murcho… Este maná eu sirvo com mandioca cozinha ou polenta mole.

 

Limpe a baba, por favor!

 

P.S. A melhor “cantada” pra quem cozinha: “Tua comida me lembra da minha mãe!”. Obrigada, Eduardo!!!

Paçoca de carne de sol

Paçoca de carne de sol

Paçoca de carne de solAcabo de voltar de uma viagem muito especial. Depois de mais de 15 anos, voltei à Januária, uma cidade do norte de Minas Gerais, banhada pelo Rio São Francisco e onde nasceu meu pai. Além de todas as lembranças e encontros, pude explorar alguns lugares que ainda preserva formas centenárias de se preparar ingredientes e receitas. Uma delas é a Paçoca de Carne de Sol. Desde a época dos tropeiros, que a levavam na sua matula, cada casa da região tem o hábito de preparar a sua receita. Esta que escrevo aqui é a mais básica e com maior durabilidade.

Produção da Farinha de Mandioca
Mulheres da Associação da Trabalhadores Rurais de Vargem, norte de Minas Gerais, fazendo farinha de mandioca
Receita de Paçoca de Carne de Sol

– 500g de carne de sol

– 800g de farinha de mandioca

– 1 colher (chá) de cominho em pó

– 1 colher (chá) de pimenta do reino

– 1 colher (chá) de pó de café

– fio de óleo

– sal à gosto

Modo de Preparo

1- Dessalgar a carne, deixando-a de molho em água por uma noite.

2- Colocá-la para cozinhar em panela de pressão por cerca de 20 minutos ou em panela comum por cerca de 50 minutos. Ela deve ficar macia – o tempo de cozimento variará de acordo com o tipo da carne)

3– Fritar a carne, já cozida, em um pouco de óleo até ficar bem dourada.

4- Levá-la junto com os temperos para um pilão e socá-la até ficar bem desfiada. (Se não tiver pilão, você pode levá-la rapidamente ao processador).

5- Voltá-la para a panela e, com fogo baixo, acrescentar a farinha ao poucos até misturá-la por completo. Corrigir o sal, se necessário.

Carne de sol
Carne secando ao sol em açougue de Bonito de Minas

Notas:

1- Originalmente a farinha é acrescentada ‘a carne no pilão e socada. Porém como poucos terão o pilão grande, a receita original foi adaptada.

2- O café é para dar o gostinho da receita da vovó. Pois o pilão de socar a paçoca normalmente também era utilizado para pilar o café. Então, no fundinho sempre tinha um toque deste ingrediente.

3- Esta receita pode ser armazenada fora da geladeira pois até 2 semanas. Caso você queira fazer para consumo imediato, pode acrecentar outros temperos, como cebola frita, alho, coentro etc.